Se o seu comitê de riscos ainda trata o Compliance como uma lista de verificação anual, sua empresa está operando com um mapa de 1990 num mundo de 2026. O novo Global Risks Report do Fórum Econômico Mundial (WEF) não é uma leitura de cabeceira; é um diagnóstico de falência para modelos de gestão estáticos.
A grande verdade que poucos C-Levels admitem é que o mundo deixou de ser linear. Entramos na era dos “Riscos Compostos”. Não se trata mais de uma crise climática aqui e uma tensão política ali. Estamos falando de colisões sistêmicas onde a IA, a fragmentação geopolítica e o colapso de infraestruturas operam como um organismo único.
Multipolaridade: Por que o seu “Plano B” vai falhar
O relatório destaca um conceito brutal: multipolaridade sem multilateralismo. O poder global está fragmentado, mas os mecanismos de cooperação sumiram.
Para a operação, isso é um xeque-mate na previsibilidade. Cadeias de suprimento e fluxos de dados agora são armas de guerra. O risco de infraestrutura (Capítulo 2.5) não é mais um problema do TI; é um risco de liquidez. Uma falha digital do outro lado do oceano pode paralisar seu caixa em minutos.
A miopia do “Checklist”
O erro fatal de muitos Boards é confundir auditoria com resiliência. A auditoria garante que você seguiu as regras de ontem. O WEF 2026 pergunta se você sobrevive ao amanhã.
A pergunta no corredor da diretoria não deve ser “estamos em conformidade?”, mas sim:
- E se a desinformação em massa destruir a confiança na nossa marca em 48 horas?
- E se a infraestrutura que sustenta nossa logística for o alvo da próxima disputa geopolítica?
ESG não é sobre “fazer o bem”. É sobre não parar.
Precisamos tirar o ESG da mão do marketing e colocá-lo onde ele pertence: no núcleo da estratégia de defesa. O mercado B2B precisa entender que o ESG Sistêmico é o único sistema de gestão capaz de integrar essas incertezas.
Esqueça a filantropia. Foque na Resiliência Estrutural:
- Governança de Incerteza: Decisões rápidas em cenários de valores em conflito.
- Blindagem Operacional: Proteger a cadeia de valor contra choques climáticos e políticos que o balanço financeiro ainda não captou.
- Ética Tecnológica: Gerir o salto da IA sem perder a integridade dos dados ou a confiança do mercado.
O Veredicto para 2026
A janela de adaptação é curta. O WEF alerta que os próximos 24 meses serão dominados pela desinformação e instabilidade econômica. Planejar para 2030 sem blindar a governança de 2026 é um erro fiduciário.
A diferença entre as empresas que continuarão relevantes e as que se tornarão estatística é simples: as primeiras tratam o ESG como um sistema de sobrevivência; as últimas, como um fardo burocrático.
Auditoria aprova o passado. Gestão de riscos garante o amanhã. Onde o seu Board está olhando?
